1.º Domingo depois da Páscoa – 11 de abril de 2021

Domiciano era narcisista; adorava selfies, e como na época não haviam telemóveis, ele inundou o império com suas estátuas e mandou erguer templos em sua homenagem nos grande centros urbanos. Ser imperador não era suficiente. Ele queria tudo e mais um pouco: a glória, esplendor, a luminosidade do deus sol. Domiciano era megalomaníaco; todas as leis decretadas por ele tinham de ser iniciadas com a fórmula apropriada: “Domiciano, Senhor nosso e deus nosso, ordena que: (…)”

Domiciano era um tirano como poucos; os cristãos a quem o evangelho de João foi escrito, tinham apenas duas opções: declarar Senhor e Deus a Cristo ou a Domiciano. Os cristãos que recusassem professa-lo deus, eram perseguidos. Sabemos que Tome, um dos 12, era chamado o Dídimo, o duplo, o gémeo, pois provavelmente ele tinha um outro irmão igual a ele. Estando Tome ausente quando Jesus ressurreto apareceu aos discípulos pela primeira vez, ele descre e necessitava de provas para crer. Sabemos que ele duvidou e disse que somente tocando as cicatrizes de Cristo, acreditaria. Sobre o irmão de Tome, nada e’ dito, portanto nada sabemos.

Tome, o incrédulo, tinha um irmão anonimo, que talvez ao contrário de si, era crente. Quemsabe o irmão gémeo era um daqueles muitos discípulos que seguiam a Cristo sem questionar, sem olhar pra trás, sem deixar digitais ou registro nos evangelhos, e nem precisava “ver para crer”. O que creram eram muitos, que nem havia espaço nos evangelhos para registrar tantos nomes. Muitos vieram a crer não por causa de provas, mas convencidos pelo que não podia ser visto pela aparência, mas pelo espirito, visto com o olhar da fé, os olhos do coração. Sabemos que entre nos, temos irmãos como os gémeos: uns crêem, mas os outros duvidam. E as vezes, os gémeos existem ate dentro de nos mesmos, onde ocorre a luta entre fé e descrença. Uma parte de nos crê e professa. Outra parte duvida, exige provas palpáveis. Mas chegara o dia para nos, como chegou o dia para Tome, em que bastou apenas Cristo aparecer e revelar o que ia no mais íntimo do ser: ‘Então, Dídimo, põe tua mão no meu lado. Não duvides, tenha fé’. Isto apenas, foi o suficiente para Tome professar a fé uma vez dada aos santos. Para as mulheres, o Cristo ressurreto apareceu de forma tao comum, que elas o confundiram como o jardineiro. Para Tome, Cristo apareceu tao vivo e palpável que qualquer, que todas suas duvidas foram silenciadas. O Cristo que veio ao encontro de Tome, veio em quieta e gloriosa solenidade, como a glória do rei sol clareando a madrugada, iluminando toda descrença. Tudo o que ele pode sussurrar de joelhos, foi a fórmula que declaramos na Eucaristia: ‘Senhor Meu e Deus Meu!’ Domiciano daria seu trono, coroa, todo o reino e muito mais, para ter um pouco da gloria que Tome quase apalpou.

Abilene Fisher, Presbítera

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