11º Domingo Comum, 13 de junho de 2021

Marcos 4:26-34

“Porque a terra por si mesma frutifica, primeiro a erva, depois a espiga, por fim o grão cheio na espiga” Mc 4: 28

As duas parábolas propostas pelo texto são interpretadas como símbolo e instrução acerca da forma como o Reino de Deus irrompe e a nossa participação no processo. Retenhamo-nos no que a isto diz respeito. Enquanto homens e mulheres, enquanto Igrejas somos apenas, e com bastantes responsabilidades, participantes de uma antevisão do Reino. Muitas vezes caímos na tentação de nos apresentarmos como impulsionadores e “aceleradores” da chegada do Reino. Apregoamos a chegada e a realização do Reino nas coisas que fazemos, nas palavras que proferimos e nos nossos êxitos tantas vezes passageiros. Ao falarmos assim de nós mesmos, talvez o que daí resulta é atrasarmos a sua chegada. Podemos e devemo-nos identificar com os participantes de cada parábola, com cada semente, podemos até pensar ser um daqueles 150 grandes peixes, que quase voluntariamente saltam para dentro das redes…não podemos é confundir o “venha o teu reino” com “venham ao meu reino”. A Igreja é testemunha do Reino que há-de vir, tem a tarefa de anunciar a sua ainda invisibilidade, mostrar a esperança que se não vê, e ser espelho do Reino. As Parábolas sobre o Reino, colocam-nos no nosso devido lugar. A Igreja tem tarefas humanas com demasiada responsabilidade e pesadas, para que ainda lhes acrescentemos a da chegada e do estabelecimento do Reino neste mundo. Somos tão-somente cooperadores, homens e mulheres que lançam a semente, mas a partir daí termina toda e qualquer consideração, quer sobre o que fizemos, quer sobre o que esperamos obter e muito menos subtrair a acção de Deus que é quem decide todas as coisas referentes aos tempos e às estações. Pobre do que diz que “converteu” este ou aquele, ou que a semente que lançou é que foi bem lançada. Somos todos homens e mulheres dormentes, que quer de dia quer de noite nos levantamos, e de repente acordamos literalmente para o que Deus fez no silencio e na beleza da sua própria noite ou do seu próprio dia. Estamos todos aflitos, carentes de sentido, vazios de conteúdo, desesperados por qualquer coisa que nem nós mesmos sabemos o que é, que colocamos urgência em tudo, tudo é sinal, tudo é indicio, já nem interessa o quê…Se não tivermos muito cuidado ainda dizemos: ei-lo ali, ei-lo acolá, ei-lo por todo o lado e afinal não estando em lado nenhum. Quando Jesus diz que o Reino aparecerá de repente quando menos se espera, quando menos está programado, é um repente que pertence exclusivamente ao domínio do mistério de Deus. Até lá é só sabermos esperar que frutifique, que nasça a erva, que desponte a espiga e que dela saia o grão. Espera e Esperança, são o manual de instruções do Reino! Mas ler estas instruções leva e ocupa muito tempo…mas, ninguém desespere porque há tempo para tudo debaixo do sol!

José Manuel Cerqueira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *