S. Pedro e S. Paulo, apóstolos – 29 de junho de 2021

S. Mateus 16,13-19

A experiência de fé de Pedro e Paulo e, naturalmente, de toda a Igreja, tem como fundamento o encontro com a pessoa de Jesus e edifica-se em segui-lO. Esse encontro, porém, não é fruto de uma iniciativa humana: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi nem o sangue nem a carne que te revelaram isso”; pois não é o ser humano que busca a Deus, mas é Ele mesmo que vem ao encontro da sua criatura por excelência, quando a chama à existência e à plenitude de vida.

Em Mateus 16,13-19 descobrimos um momento imprescindível no caminho do “seguir a Jesus”: a decisão de conhecê-lo mais profundamente. Portanto, a pergunta que Jesus dirige aos discípulos marca decididamente esse caminho. Fica claro que não basta apenas dizer o que os outros afirmam: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?”, mas é preciso também dizer o que, a partir da convivência com Ele, conhecemos sobre Ele. A resposta deve ser pessoal, o que não significa intimismo ou espiritualismo individualista, pois ninguém conhece Jesus se não é capaz de acolher o testemunho da experiência dos outros que também fizeram o encontro com Ele na comunidade, a Igreja edificada pelo próprio Senhor; é ela o lugar por excelência do encontro e do conhecimento da sua Pessoa. Pois à medida que a convivência com Ele vai transformando os seus discípulos de todos os tempos, é que se aprofunda o conhecimento de quem Ele verdadeiramente é.

 “E vós quem dizeis que eu sou?”. A resposta de Simão Pedro, que dá voz ao grupo: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” contém duas afirmações paradoxais. A primeira, em continuidade com as expectativas do Antigo Testamento e tradição judaica, isto é, a espera do Messias; mas a segunda totalmente dissonante, incoerente e escandalosa: o Messias ser filho de Deus, e portanto Deus. Aqui está a diferença basilar entre o Cristianismo e todas as outras religiões, sobretudo o Judaísmo. Não é tanto afirmar que Jesus é um profeta, um messias, mas é crer que Ele é o Filho de Deus. Só a fé se torna rocha para suportar essa mudança fundamental do crer, com consequências para o ser.

Por isso, Jesus chama Simão de Kephas (aramaico traduzido para o grego petra, em português rocha, pedra. Esta palavra (kephas) não tem variação de gênero em aramaico, portanto, Pedro e Pedra são a mesma palavra).

Jesus declara que a fé unifica numa mesma pessoa o seu ser e o seu crer: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Assim, a fé não é algo que temos, mas algo que nos faz ser; mais do que uma eficácia formativa, é uma força performativa. E, portanto, como filhos do Eterno, somos destinados à eternidade, porquanto tudo aquilo que se liga na terra se liga no céu, e tudo o que se desliga na terra se desliga no céu.

Feliz é aquele que sustentado na rocha da fé, se transforma em corpo de Cristo (Igreja), o rochedo da nossa salvação.

Adaptado de https://bsdehonbrasil.wordpress.com/

José Manuel Santos

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