S. Tiago, Apóstolo – 26 de julho

S. Marcos 10,35-45

Logo no início do evangelho é ressaltada a pretensão de Tiago e de João, filhos de Zebedeu que, apoiados pela mãe, reivindicam um lugar de honra no Reino que vai ser instaurado, um à direita e outro à esquerda de Jesus.  Os dois irmãos, Tiago e João, apresentam-se a Jesus dizendo: “Mestre, queremos que faças por nós o que vamos pedir” (v. 35).  Eles parecem exigir esta honra: “Queremos”, dizem.

Diante desta manifestação de ambição, honrarias e privilégios, Jesus não se mostra de forma alguma condescendente, porque toda ambição contraria os fundamentos da sua proposta.  Em relação a João e Tiago, Jesus é severo: “Vós não sabeis o que pedis.

Certamente Tiago e João imaginam que o Reino proposto por Jesus seria algo poderoso e glorioso e, por isto, almejam, desde logo, lugares de honra ao lado dele. O facto mostra como Tiago e João, mesmo depois de toda a catequese que receberam durante o caminho para Jerusalém, ainda não entenderam a lógica do Reino de Deus e ainda continuam a refletir e a sentir de acordo com a lógica do mundo.  Para fazer parte da comunidade do Reino de Deus é preciso, portanto, que os discípulos estejam dispostos a percorrer, com Jesus, o caminho do sofrimento que irá culminar com a morte. Apesar de Tiago e João manifestarem, com toda a sinceridade, a sua disponibilidade para percorrer este caminho, Jesus não lhes garante uma resposta positiva a esta pretensão.

Na segunda parte do texto (vv. 41-45), temos a reação indignada dos discípulos à pretensão dos dois irmãos, o que indica que todos eles tinham as mesmas pretensões e revela que Tiago e João estavam longe de ter assimilado o pensamento do Mestre.  Novamente Jesus toma a palavra: “O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (v. 45). Na tradição bíblica, a expressão “Filho do Homem” indica aquele que recebe de Deus “as soberanias, a glória e a realeza”. Jesus enche de novo sentido esta imagem, especificando que ele tem a soberania enquanto servo, a glória enquanto capaz de se humilhar, a autoridade real enquanto disponível ao dom total da vida.  Assim, Jesus apresenta-se como o modelo a ser seguido. 

“Quem quiser ser o primeiro, será o último de todos e o servo de todos” (v. 44). Para os seguidores de Cristo a única grandeza é a grandeza de quem, com humildade e simplicidade, faz da própria vida um serviço.  Jesus convida-nos a servir e partilhar com os irmãos os dons que Deus nos concedeu. Chama a nossa atenção que, quando por ocasião da redação do Evangelho de São Marcos, um dos dois irmãos, Tiago, já teria dado a sua vida por Cristo, morrendo como mártir em Jerusalém (cf. At 12,2) e o outro, João, estaria pregando o evangelho, dando, assim, prova de que compreenderam o ensinamento do Mestre.

José Manuel Santos

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