Santa Maria Madalena – 22 de julho

S. João 20,1-8

“E os dois (discípulos) corriam juntos, mas o outro discípulo corria mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro.” v. 4

Neste mês de Julho, passado mais de metade do ano, a Igreja, recorda-nos novamente a Ressurreição do Senhor. Entende-se! É um acontecimento que não fica parado no tempo nem na manhã de um único dia. Mas o texto também recorda a mulher espantosa que foi Maria Madalena. Muito se escreve e especular sobre Madalena, o seu encontro com Jesus, a sua aceitação e compreensão femininas do Evangelho. Ela faz parte de um grupo alargado de mulheres que com Maria, Mãe do Senhor, persistem na sua fidelidade à fé. Enquanto os discípulos homens são retratados no esplendor das suas limitações e fraquezas, para não mencionar as decisões suspeitas e precipitadas com que alguns deles reagiram aos acontecimentos da Semana da Paixão, as mulheres são sempre descritas com suavidade e perseverança. Não há da parte de nenhuma delas qualquer sinal que coloque em causa a sua fidelidade ou a sua participação na Missão de Jesus. Podem tentar coloca-las como elementos de retaguarda “recatada” ou como uma forma de serem discípulas discretas, e os homens como face pública do Senhor! Só que essa estratégia resulta num enorme falseamento do que os Evangelhos relatam sobre todas elas. Maria Madalena deste texto de hoje é uma mulher corajosa, que se dirige de madrugada, ainda um pouco escuro ao lugar onde teria um encontro com o corpo de Jesus. Não estamos a falar do ambiente mórbido de Cemitério Vitoriano de Londres, nem do romântico Pere Lachaise de Paris, estamos a falar simplesmente de um túmulo novo, cavado numa rocha e com um jardim à volta. Não havia ali nada de assustador, nem a parafernália de símbolos e simbolismos que hoje sobrecarregam estes lugares. Nada de ossos cruzados, nem caveiras – sempre com falta de dentes como sinal de decrepitude – nada de ampulhetas fatais, aves agoirentas, gadanhos, crucifixos, fotografias em cloreto de prata, nem anjos caídos, nem crianças de pedra… Maria Madalena esperava ver apenas a mais tenebrosa das realidades: o cadáver do Senhor. O perfil do rosto coberto com um lenço, e a silhueta do corpo coberto com um lençol. Todo Ele iluminado pela luz translúcida e ainda ténue de uma madrugada ainda mal nascida. Nem o romantismo da luz seria capaz de atenuar a tristeza e a nostalgia. Mas afinal – o mais importante: o Senhor, é que já não estava lá! O sepulcro triunfou sobre o cemitério; o Novo Éden venceu o Velho Jardim! Na manhã desse Dia nasceram todos os cemitérios sem morte! Se ela foi chamar Simão Pedro e o “outro discípulo”, porque a palavra de uma mulher não valia para nada, se ambos corriam, um mais do que o outro, e o que correu mais chegou primeiro, na verdade, na meta da fé, quem vence a corrida é Maria Madalena, que sem sair do seu lugar, foi para ela que o Senhor Ressuscitado correu em primeiro lugar…

JMCerqueira

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