18.º Domingo Comum – 01 de agosto

S. João 6,24-35

Nos Evangelhos Sinópticos, sistematicamente é o próprio Senhor que levanta a questão da sua identidade, como quem tem necessidade urgente de perceber se os que o seguem têm verdadeira consciência do que fazem e do Homem que seguem. Assim temos por ordem cronológica em Marcos 8:27: “…saiu Jesus e os seus d

O evangelho deste domingo começa, praticamente, com a observação de Jesus sobre o facto de muitos o procurarem, não para assumir o seu projeto de vida, nem para segui-lo na doação até à morte, mas simplesmente por causa dos milagres, ou sinais, que operava.

Pelo contrário, Jesus adverte a multidão que o segue, que devem trabalhar pelo alimento que não se estraga. Com esta afirmação, Jesus não quer que se pense que o ato de o seguir deva ser só de índole espiritual. Longe de Jesus pregar uma mensagem que tivesse como resultado o abandono dos pobres e marginalizados, num mundo cada vez mais fragilizado e dominado pela exclusão e discriminação. Jesus quer que haja equilíbrio nas nossas vidas, que os meios materiais sejam usados para que haja uma sociedade onde todos vivam com dignidade e a onde as assimetrias se esbatam.

É preciso procurar, em primeiro lugar, o Pão que vem do Céu, ou seja, o próprio Jesus Cristo. E procurar Jesus implica uma opção pela sua pessoa, pela sua mensagem e pela sua prática. Ou seja, é o assumir de um compromisso altamente exigente, com enormes consequências na definição das prioridades da nossa vida. Não será fácil ter uma relação verdadeira com Jesus, enquanto pessoa, sem assumirmos a sua prática, atualizada em função das condições do hoje e do momento que vivemos.

João assegura-nos que quem vai a Jesus como discípulo “nunca mais terá fome, nunca mais terá sede”. Pois seguir Jesus, apesar de difícil, é capaz de saciar os desejos mais íntimos da nossa condição humana, o que a simples posse de bens materiais não é capaz.

Este texto desafia-nos a autoexaminarmos a fé que vivemos e professamos, a realidade do modo como seguimos Jesus, as nossas motivações e as nossas metas e objetivos de vida. Convida-nos a que coloquemos no centro de nossa existência o projeto de Deus, encarnado em Jesus e continuado nos seus seguidores. Convida-nos a alimentarmo-nos com o Pão da Palavra e da Eucaristia, para que tenhamos vontade e força para criarmos um mundo onde “todos têm a vida e a vida plenamente”!

Pedro Fernandes, diácono

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