19.º Domingo Comum – 08 de agosto

S. João 6,35.41-51

Nos Evangelhos Sinópticos, sistematicamente é o próprio Senhor que levanta a questão da sua identidade, como quem tem necessidade urgente de perceber se os que o seguem têm verdadeira consciência do que fazem e do Homem que seguem. Assim temos por ordem cronológica em Marcos 8:27: “…saiu Jesus e os seus discípulos para as aldeias da Cesareia; no caminho, perguntou aos seus discípulos: “Quem dizem os homens que EU SOU?”; em Mateus 16:13: “Quem dizem os homens SER O FILHO DO HOMEM?” e em Lucas9:18, encontramos a extraordinária variante da mesma pergunta: “E aconteceu que, estando ele só, orando, estavam com ele os discípulos; e perguntou-lhes: Quem diz a MULTIDÃO que eu sou?”. Estas três formas diferentes de fazer a mesma pergunta impressionam muito. Temos como que um alargar do cerco: “quem sou eu?”; “Quem é o filho do Homem?”, e a pergunta cósmica: “o que diz a “MULTIDÃO…? Mas quando chegamos ao ambiente teologicamente sofisticado do Evangelho de João, Jesus já não se submete a perguntas sobre a sua identidade, Ele mesmo responde sem perguntar. Antes que alguém imagine o que quer que seja, antes que alguém queira que Ele seja a resposta imediata aos problemas humanos tantas vezes utilitários e banais, Ele apresenta-se. No Evangelho de João, de elevada Espiritualidade, Jesus traça todos os limites. Ele é o limite entre a imaginação dos homens e a realidade de Deus, entre a necessidade dos seres humanos quererem ter um “deus” qualquer que os ajude a ser qualquer coisa, e o verdadeiro objectivo da sua Incarnação. Em nenhum Evangelho Jesus Incarnou para fazer a vontade dos Homens e das Mulheres mas muito menos no de João. Aqui, Jesus Incarna para fazer exclusivamente a vontade do Pai que quase nunca coincide com os sonhos da Humanidade, muito pelo contrário…Jesus é símbolo, imagem e concretização de tudo o que é essencial à Vida espiritual, porque Ele é tudo o que supera e fulmina a banalidade da vida humana: Ele é tudo o que supera a morte e os seus medos, por isso Ele é Ressurreição. Ele é tudo o que é essencial para dar sentido a existências passageiras: a Verdade. Ele é concretização do essencial para a boa orientação humana: o Caminho. No Evangelho de João, Jesus é indício de Vida, e em casos extremos indício de sobrevivência sob condições extremas, por isso Ele é água nos desertos, luz de dia e luz de noite que assegura companhia, que aquece quando de noite a temperatura dos nossos corações desce a níveis inimagináveis de tristeza e solidão. Ela, a Luz, Ele, O Cristo, ali velando sempre por nós…! Em João, Jesus é genuíno e honesto sustento humano: porque é Pastor e Videira. E finalmente, hoje Ele é o Pão da Vida, não fosse Ele Filho prometido e nascido na cidade de “Beth-leem” (Bélem) – que traduzido significa: “ A Cidade do Pão”…

José Manuel Cerqueira

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