22º Domingo Comum – 29 de agosto

S. Marcos 7,1-23

O Evangelho do 22.º Domingo Comum para este ano relata-nos os fariseus e os doutores da Lei em confronto com Jesus, porque os discípulos não cumpriam com o cerimonial de lavarem as mãos de acordo com a tradição.

A reação de Jesus foi muito violenta perante a mesquinhez da interpelação dos fariseus e dos doutores da Lei. Acabou com o ensinamento de Jesus sobre o que torna as pessoas impuras: não são as coisas que entram numa pessoa que as torna impuras, mas sim as que saem delas.

Ao ouvirem esta conclusão os discípulos ficaram confusos e pediram a Jesus que lhes explicasse o que queria dizer com aquela comparação. Embora Jesus tenha ficado surpreendido por os discípulos não terem compreendido o ensinamento, mais uma vez deu-lhes a explicação.

Tudo o que uma pessoa possa comer ou beber, isso não a torna impura, porque não lhe entra na alma, mas no estômago e depois sai do seu corpo. Aquilo que sai das pessoas é que as torna impuras. Do seu íntimo é que saem os maus pensamentos e tudo o que leva à imoralidade, ao roubo, ao crime, ao adultério, à devassidão, à inveja, à calúnia, ao orgulho e à loucura. Todos estes males vêm do íntimo das pessoas e é isso que as torna impuras.

Efetivamente o que comemos ou bebemos, ou a falta de higiene quando comemos ou bebemos, pode dar origem a que fiquemos doentes, mas ficar doente não é ficar impuro, apesar de ao tempo de Jesus, as pessoas que contraíam alguns tipos de doenças, umas pelo risco de contágio como a lepra e outras pela sua natureza, eram consideradas como pessoas impuras.

Jesus clarifica que o sentido da impureza não depende do que se come ou bebe. O que comemos ou bebemos, se nos fizer mal acabará por ser rejeitado pelo nosso corpo, pode deixar-nos doentes, mas o fato de ficarmos doentes, não significa que ficamos impuros.

O que torna as pessoas impuras são os seus comportamentos. Desenvolvem-se dentro das pessoas através dos pensamentos e muitas vezes as levam a tomar decisões contrárias à vontade de Deus. Os exemplos dados por Jesus são exemplos da falta de amor ao próximo, que lhe causarão danos. Ao não amarmos o próximo, não podemos dizer que amamos a Deus e não amando nem a Deus nem ao próximo tornámo-nos pessoas impuras.

Carlos Duarte, presbítero

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