23º Domingo Comum – 05 de setembro

S. Marcos 7,31-37

O Evangelho do 23.º Domingo Comum do Ano B narra-nos o milagre da cura de um surdo e mudo. Sabemos que Jesus, durante o seu ministério nas terras da Palestina, curou muitos enfermos. O que terá levado o Evangelista S. Marcos, cujo testemunho do Evangelho é muito simples, a narrar este milagre da cura de um surdo e mudo.

No início da leitura de hoje localizamos Jesus em viagem de Tiro e de Sidon em direção ao lago da Galileia passado pela província das Dez Cidades. É importante o pormenor da localização porque coloca Jesus no meio dos gentios. Embora fossem descendentes dos filhos de Jacob, pela mistura que realizaram com os povos locais e com os ocupantes assírios, as pessoas destas regiões eram considerados gentios pelos judeus. A realização desta cura na região dos gentios revela-nos a plenitude da mensagem do Evangelho para todos os povos.

Continuando a leitura, diz-nos que trouxeram a Jesus um surdo que também falava com dificuldade e pediram a Jesus que pusesse as mãos sobre ele para o curar. Aspecto importante: é que não é o doente que vem ter com Jesus, porque naturalmente não conseguia ouvir o testemunho que as pessoas davam de Jesus e a sua dificuldade em falar não lhe permitiria expressar claramente a sua vontade. Mas aqueles que conheciam já os poderes de Jesus trazem o doente a Jesus e pedem, em lugar do doente, a cura a Jesus. Este é um aspecto importante da nossa relação com Deus: precisamos de trazer ao conhecimento de Deus aqueles que dele estão carentes e que não têm capacidade para o fazer.

Segue-se um testemunho importante: Jesus não fez o que as pessoas pediam, antes pelo contrário, afastou-se da multidão levando consigo o doente. Depois, simbolicamente coloca os dedos nos ouvidos e toca-lhe na língua com saliva, levanta os olhos ao céu, suspirou e disse: abre-te. Imediatamente o homem ficou curado: passou a ouvir e a falar normalmente. Não podendo o doente expressar a sua fé em Jesus, foi usada a simbologia dos dedos nos ouvidos e da saliva na língua, que o doente podia recusar, mas que aceitou, levando Jesus a expressar uma simples oração: suspira e ordena: abre-te.

O modo como se operou a cura deste doente revela-nos que as respostas do Senhor Nosso Deus às nossas súplicas podem acontecer de maneira diferente do que estamos à espera. As bênçãos de Deus não são para exaltação humana, mas para a revelação do amor de Deus. Jesus tocando na doença: surdez e gaguez, curou o homem. Jesus identifica-se, não como um mero curandeiro, mas através da oração revela o amor de Deus na pessoa do Filho.

Carlos Duarte, presbítero

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *