25º Domingo Comum – 19 de setembro

S. Marcos 9,30-37

Este texto começa com a “vocação” de Mateus. O que se vai passar a seguir é uma série de “mal-entendidos”. Vejamos: depois do convite a Mateus, e do seu “sim”

Um menino, geralmente, está mais perto do chão e da poeira do que um adulto. E toca ‘animais impuros’ como cão e gato, mais frequentemente do que nós adultos. Se colocamos um sorvete ou uma maçã nas mãos de um menino, talvez ele nem lembre primeiro do álcool gel. Crianças na Palestina antiga, eram por vezes vistas como inferior, impuras, como despesa mais do que vantagem. Como a mortalidade infantil era alta, apegar-se demais aos miúdos, pode ter sido para alguns, um ‘investimento’ sem retorno.

É verdade que crianças eram vulneráveis, dadas em casamento prematuramente, vendidas como escravas em tempos de falência, ou dedicadas a ídolos. Mas igualmente, em Israel, as crianças eram valorizadas, abençoadas, dedicadas a Deus, preciosas, tidas como cumprimento de promessas e herança divinas, cujo nenhum valor monetário poderia comparar a humanidade e beleza expressas na infância. Por isso, Jesus mostrou aos discípulos um menino, como exemplo daqueles que herdarão Reino.

Para herdar o reino, os discípulos teriam que dar adeus as suas próprias ideias de governo, privilégio, importância e domínio, onde uns são vistos como iguais e outros são vistos como categoria inferior. Jesus oferece um modelo de inversão de valores. Os primeiros são os últimos, os inferiores mais valorizados, os de baixo vêm para cima e os da margem vêm para o centro.

Para ganhar o Reino, os discípulos têm que tudo perder. Jesus mesmo, na sua Paixão pelo mundo, esvaziou-se de seus privilégios para ensinar que nossos padrões, utopias, julgamentos de valor, são por vezes moldados ao contrário dos padrões de Cristo, que vê o coração e não exterior, pois ‘o essencial é invisível aos olhos’. O olhar de Cristo vê uma criança como ela realmente é: maravilhosa e valiosíssima, tanto que, podendo vir ao mundo como um arcanjo, Jesus veio até nós na humildade de um menino na manjedoura. Como disse Leonardo Boff: “Todo menino quer ser homem. Todo homem quer ser rei. Todo rei quer ser deus. Só Deus quis ser menino.”

Abilene Fischer, presbítera

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