S. Mateus, Apóstolo – 21 de setembro

S. Mateus 9,9-13

Este texto começa com a “vocação” de Mateus. O que se vai passar a seguir é uma série de “mal-entendidos”. Vejamos: depois do convite a Mateus, e do seu “sim” que não está no texto, mas faz-se evidente, segue-se uma refeição em que aparecem os fariseus para verem o que se estava a passar. À mesa identificam dois tipos de pessoas: uns com uma profissão mal vista: os Publicanos; e outros, com uma vida mal vista: os pecadores! Qualquer dicionário define quem eram os publicanos e o que faziam, mas quando aparecem nos Evangelhos, “os pecadores”, nunca nos é dito porque é que o são! Que pecados cometeram? Qual o conteúdo desta classificação com tanto impacto público? Estaremos a ler acerca de quê?! Os fariseus ao verem à mesa “publicanos e pecadores”, aproveitaram para minar a Festa, insinuando com astúcia que Mateus pertencia a pelo menos um daqueles grupos, só que Mateus já não era o mesmo! Os que trabalhavam na “alfândega” tinham a fama de traidores e oportunistas, porque podiam ficar com o dinheiro que cobrassem acima da lei. Questionemo-nos honestamente, mas onde é que está escrito que era desta forma que Mateus procedia? Não existiria pelo menos um funcionário da alfândega que fosse honesto? Não teria sido precisamente por ele ser honesto que Jesus o foi buscar? Entre o que não sabemos e o que nos é dito no texto, Jesus ensina que nem todos são tão pecadores e nem todos são tão publicanos como os fariseus pensavam nos seus pequenos julgamentos sumários; que antes de estragarem a Festa, deviam primeiro exercer Misericórdia; falando de si mesmo lembra-lhes que veio para os “pecadores e não para os justos”, para os “doentes e não para os sãos!”. Discernindo os pensamentos, e pelo conjunto das suas reações, Jesus percebe que os fariseus estavam a dar a entender que Ele se estava a envolver com pessoas com mentes doentias e deviam estar todos internados! Mas Cristo veio para ser o médico da mente e dos corações. Se não tivermos cuidado podemos cair na teoria da conspiração moralista: “vieram todos à Festa, mas estão todos doentes”! A lição é de humildade: só Ele distingue sem erro entre pecadores e justos, doentes e sãos! Infelizmente, estamos programados para elaborar pensamentos a respeito dos outros. Gosto do desafio: “Conhece-te a ti mesmo”! Continua a ser válido, mas para nós só faz sentido unido à humildade proveniente da Fé. Refreemo-nos antes de falar porque temos connosco e ao nosso lado o médico que conhece a nossa mente. Contenhamo-nos antes de pensar, porque temos ao nosso lado o Cristo, Senhor da Misericórdia, que conhece a nossa impulsividade. Estas instruções devem ajudar-nos a ser interior e exteriormente equilibrados, com mentes sãs, capazes de controlar os impulsos da nossa fraca humanidade. Só assim nos poderemos sentar à Mesa, felizes, calmos e seguros, onde já não haverá fariseus a vigiar o ambiente.

José Manuel Cerqueira

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