1.º Domingo do Advento – 28 de novembro

S. Lucas 21,25-36

“Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo, porquanto as virtudes do céu serão abaladas. Vigiai, pois, em todo o tempo, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão-de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do Homem.” V. 26-27

Convenhamos que este texto do Evangelho, para primeiro domingo do Advento, parece bastante catastrófico, necessitando por isso de um enquadramento especial. O Evangelho de Mateus usou este discurso de Jesus no capítulo 24, mas para lançar luz sobre tão sombrias palavras, inseriu-lhe as parábolas dos “Dois servos”; das “Dez virgens” e dos “Talentos”. Marcos 13 não tem interrupções, sendo provavelmente o que transmite o mais histórico do discurso. Lucas segue o modelo de Marcos. Podemos perguntar o que é que os distingue uns dos outros. Não é propriamente uma questão de estrutura, que é muito semelhante. Em Marcos e Lucas distingue-se a diferença de vocabulário. Na minha perspectiva o mais importante deste “Sermão”(?) acerca do “Fim de todas as coisas”, de “A grande tribulação”; de “O Princípio das dores”´ não é a forma como começa, mas a forma como termina. Mateus é radical, acaba num Julgamento de dimensões Cósmicas – na divisão entre bons e maus, no castigo e na recompensa eternos. Marcos e Lucas têm um final comum. Por extraordinário que pareça, ambos sem ideia de Julgamento, eles que escrevem distanciados entre si cerca de 15 anos deixam aberta a porta da Esperança. A grande catástrofe, a tribulação e as dores nunca se concretizarão em Marcos se vigiarmos, e em Lucas e se vigiarmos e oráramos! Não é vigilância nem oração para que nada nos aconteça A NÓS, isso é puro egoísmo, mas para que nada disto chegue a acontecer a ninguém. Tendemos a orar cada um por si mesmo, pelos familiares, pela Igreja, pelos amigos e conhecidos, mas nisto, que é bom e muito recomendável, Jesus retirou-nos qualquer sinal de individualismo. Deu-nos individualidade, isto é, originalidade, mas tirou-nos o individualismo mesquinho e inútil que não serve para nada, para nos mergulhar sem medo nas necessidades da Humanidade inteira. Por isso o texto diz que a nossa vigilância e a nossa oração podem “evitar todas estas coisas”, assegurando-nos que pela nossa vigilância e oração muitos, que nem conhecemos, poderão usufruir de Misericórdia e Salvação. Todas estas palavras de Jesus, aparentemente cheias de horror deixam bem definido que o próximo Advento não terá as mesmas condições do primeiro, será radicalmente novo e diferente, não terá a humildade do Natal, mas a Glória definitiva. Até lá, – sim até lá – a tribulação humana, individual e coletiva têm como destino a Porta da Esperança. As suas chaves são a vigilância e a oração. A Comunidade Cristã tem cada vez mais obrigação de estar em vigília e de orar por toda a Comunidade Humana inteira, nossa conhecida e nossa desconhecida, até porque as virtudes do Céu há muito que estão abaladas!

José Manuel Cerqueira

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *