34.º Domingo Comum – Jesus Cristo, Rei do Universo – Dia da Rede Lusófona da Comunhão Anglicana – 21 de novembro

S. João 18,33-37

O Cristo, rei do universo, não tem nenhum poder, se não for aquele do amor incondicional que o faz Testemunha da Verdade. Esse reinado não está totalmente estabelecido porque nós estamos associados, e acontece muito frequentemente como Igreja, que projetamos os nossos desejos de onipotência… e isso atrasa o evento do Reinado de Deus no mundo.

Neste último domingo do ano litúrgico, o evangelho de Marcos cede o lugar ao evangelho de João. Jesus comparece diante do representante do imperador romano, mas ele não tem nada a ver com o título de rei que Pilatos quer vesti-lo. Ele é Rei, mas não como os reis deste mundo: ele é o menor entre os homens. O Cristo dos evangelhos pregou o Reino e evitou apresentar-se como Rei para não ser confundido com os reis da terra. E se a Igreja o celebra como Rei, trata-se de um Rei único, estranho, sem pais nem coroa, sem cavalos nem soldados. Ele é um Rei servidor, um Rei pastor, um pastor, um Rei… pobre. E para entrar nesse Reino que ele promete, é preciso lutar para que se tornem reis… os pobres, os pequenos, os não amados, os excluídos. Aí está a sua verdade! Uma verdade que o próprio Pilatos não quer compreender. Imediatamente após o evangelho de hoje, Pilatos diz a Jesus: “O que é a verdade?” (Jo 18,38). A partir das três leituras de hoje, que podemos dizer sobre o reinado de Cristo? (Raymond Gravel – 1952-2014 – padre da arquidiocese de Quebec, Canadá).

No evangelho de João como nos sinóticos, a Paixão de Jesus é situada sob o sinal do seu reinado. Mas atenção! É um reinado bastante paradoxal: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue às autoridades dos judeus. Mas agora o meu reino não é daqui” (Jo 18,36). Como bem fala o teólogo belga, Jacques Vermeylen: “O Reino de Jesus não é a imagem das organizações políticas, onde todo mundo é obrigado a servir a um só, onde o poder de um significa a humilhação ou a submissão dos outros. Nesse reinado é o servidor (o escravo, o último dos últimos na sociedade) que reina, e a sua lei é aquela de um serviço mútuo, para a construção de uma fraternidade”

Rafael Coelho

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