3.º Domingo do Advento – 12 de dezembro

S. Lucas 3,7-18

O Evangelho deste domingo sustenta-se na atitude de João Baptista em indicar-nos, com pormenores concretos, como devemos preparar-nos para percorrermos esse caminho da “vinda do Senhor”. E esse pormenor a que João Batista se dedica, vai ao ponto de ser muito concreto com alguns grupos da sociedade daquele tempo, que bem se encaixam nos dias de hoje.

No seguimento desta perspetiva, identificamos que na primeira parte do Evangelho há uma intenção objetiva de Lucas, em colocar as pessoas a perguntarem-se sobre “o que devemos fazer?”. E isto é, nem mais nem menos, que uma sugestão a nos abrirmos à proposta de salvação que vem de Deus. Para tal, João Baptista propõe três atitudes concretas para quem quer fazer a experiência de conversão e do encontro com o Senhor que aí vem. Uma das propostas é mais genérica e consiste numa recomendação à nossa sensibilidade, para as necessidades de quem nada tem e para a nossa consequente disponibilidade à partilha dos nossos bens, com esses. Já uma outra proposta é dirigida a um grupo em específico, os publicanos, na qual João Batista pede que não explorem, que não se deixem convencer por esquemas de enriquecimento ilícito e que não despojem ilegalmente os mais pobres. Ora, nada podia ser mais atual e apropriado a uma boa parte da realidade que vivemos no nosso dia a dia. Por último, a proposta dirigida aos soldados. Nela João Batista pede que não usem de violência e que não abusem do seu poder contra os fracos e os indefesos. Em suma, nisto tudo somos capazes de perceber o modo como João Baptista põe em relevo aquilo que podemos chamar de “crimes contra o nosso próximo”, porque tudo aquilo que atenta contra a vida de um só homem ou de uma só mulher, é um crime contra Deus. E quem o comete, está, necessária e obrigatoriamente, a fechar o seu coração e a sua vida à proposta libertadora que Cristo nos veio trazer.

Já numa segunda parte do Evangelho, João Baptista anuncia a chegada do batismo através do Espírito Santo, contraposto ao batismo “na água”, que ele próprio realizava. Isto, porque o batismo de João era, apenas, uma proposta de conversão, mas já o batismo de Jesus consiste em receber, pela ação do Espírito Santo, essa vida de Deus, que atua nos nossos corações. É um batismo que nos transforma, que nos faz passar dos nossos egoísmos e do nosso enclausuramento individual, para uma atitude de abertura à dádiva, à capacidade de partilhar a nossa vida e de amar como Jesus o fez.

Pedro Fernandes, Diácono

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