Dia de Natal – 25 de dezembro

S. Lucas 2,41-52

“Este era aquele de quem eu dizia: O que vem depois de mim, é antes de mim, porque foi primeiro do que eu.” V. 15b

Neste dia de Natal é notável que o nosso texto proposto não seja nenhum daqueles óbvios que tratam do Nascimento de Jesus. Somos convidados a refletir a partir deste edifício teológico inigualável que é o chamado “Prólogo do Evangelho de João”. Nos primeiros séculos não se celebrava o Natal porque a grande festa da Igreja era o Domingo da Ressurreição. Durante alguns séculos não existiam dados para calcular nem o ano, nem o dia do nascimento do Menino, isto apesar das indicações. Apesar das indicações de Lucas que nos diz que nasceu sob o “poder de Herodes”; que Zacarias era “sacerdote da ordem de Abias”; que o Imperador era “César Augusto”; que Cirénio era “presidente da Síria” e que a pregação de João Batista teve o seu inicio durante o tempo do “Imperador Tibério César”, sendo Pilatos “presidente da Judeia”. Existem algumas imprecisões cronológicas nestes nomes, o que deixou baralhados os líderes da comunidade cristã. Por outro lado o Domingo da Ressurreição era bem estabelecido a partir do Sábado da Páscoa dos Judeus, cuja data e tempo de celebração se encontram bem definidos no Antigo Testamento. Por outro lado havia um certo receio de que celebração do Natal ofuscasse a Festa da Páscoa. Facto que passados tantos séculos, do ponto de vista da prática popular, bem o podemos confirmar hoje! Pensa-se que a Igreja começou a celebrar oficialmente a festa do Natal no ano 388, estabelecendo o dia 25 do Décimo mês do calendário Romano – Dez(embro); em e 529 declarado feriado oficial. Estes elementos retirados da História do debate interno da Igreja ajudam-nos a abordar o centro da questão que ocupou as mentes mais inteligentes e esclarecidas acerca da “quantidade” de Deus e da “quantidade” de Homem existentes em Cristo. Isto pode parecer para nós uma questão inútil, porque somos herdeiros do Credo Niceno: “Deus de Deus. Luz de Luz…” e que encerrou o debate. Chega-se à conclusão sublime que em Cristo residem simultaneamente e em “quantidades” iguais, a totalidade de Deus e a totalidade do Homem. Hoje nestes versículos do Evangelho de João estão também de forma sublime “misturadas” a vida do homem e a vida de Deus. Se reparamos todo o texto nos fala por extratos: de Cristo: 1,1-5; de João o Baptista: 1,6-8; depois novamente de Cristo: 1,9-13, e depois novamente de Baptista e uma compreensão do Filho e do Pai. Quando nós chegamos a este mundo já Deus estava nele, quando aceitamos a Fé em Cristo e a Confessamos na vida da Igreja misturamos a nossa vida na vida de Deus. Isto é o mais importante. No nascimento, Deus mistura a sua Vida com a nossa, na Ressurreição misturamos a nossa vida com a d`Ele. Desejo a todos um Feliz Natal e um ano novo cheio da Graça de Deus.

José Manuel Cerqueira

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