Vigília de Natal – 24 de dezembro

S. Lucas 2,1-20

Eles foram localizados fora da cidade, numa noite fria, vestidos em lã rústica, talvez com os cabelos em desalinho, com boca cheia de pão seco, do dia anterior. Foram seguidos em todo o percurso, até à manjedoura e trazidos de volta aos seus rebanhos, ao local de onde saíram, ao lugar onde eles pertencem. Como se a narrativa de Lucas fosse uma filmagem da jornada mais importante que os pastores sem nome, fizeram em toda sua existência.

Mesmo que eles apareçam em cena como pessoas anonimas, atores obscuros, que não ocupam o centro do palco, aprendemos o suficiente observando suas palavras e ações. De alguma forma, o fascínio desta Vigília de Natal, os anjos, os holofotes, são dirigidos a essas pessoas simples e humildes dos campos de Belém; que estavam fazendo o que pastores devem fazer: apascentando o rebanho. O mundo deles, circunscrito pela guarda e busca de ovelhas andarilhas, é disturbado por um mensageiro que traz as novas do nascimento de um menino.

Esta epifania os atemoriza; altera a ordem, a mesmice do dia, e lança-os numa jornada que os faz testemunhas oculares do momento que vai mudar a face do mundo. Este evento e’ boa nova para todos os povos, não apenas para Israel, mas para o universo. O menino nasce no contexto da contagem da população pelo estimado imperador Cesar Augusto que subiu ao trono, excedendo seus antecessores, garantindo prosperidade, paz romana e estabilidade. O povo cansado de brutalidade, o aclamam Augusto, o venerável.

Mas para Lucas, o nascimento de Jesus e’ mais significante; vai haver ascensão e a queda de muitos, à medida que acolhem ou rejeitam o descendente de Davi, como realização das promessas e profecias feitas ao longo da história de Israel. Esse menino, mais venerável que o imperador Augusto, tem particular e humildes origens que serão imersas no seu destino de Salvador e Senhor universal, atributos concedidos por decreto ao imperador romano, também intitulado: filho dos deuses, dadiva ao mundo, nascido também por intervenção divina. Para Lucas, Augusto será destronado pelo menino da pequena aldeia de Belém.

Quando alguém tao importante nasce, o arauto vai a frente, dando a notícia. As Boas Novas são uma reviravolta histórica dada de primeira mão aos pastores, que deixando tudo para trás, vão verificar os fatos, como se fossem repórteres. Suas palavras e ações foram: “Vamos ver!” E puseram o pé no caminho! Similar aos discípulos que deixaram barcos e pesca, a coletoria de impostos e seguiram. Quando lá chegaram, viram o novo governante, deitado numa manjedoura, envolto em fraldas, mas isso foi suficiente para dar uma reviravolta em suas vidas também. Ao retornarem, já não eram os mesmos! Tanto as noites frias como as ovelhas em manjedouras nunca mais foram as mesmas. Os pastores, de Belém, como os pastores de qualquer outro lugar no mundo, nunca mais poderão ser os mesmos, pois são inspirados e transformados pelo descendente de Davi – que podendo ser imperador, preferiu em vez de tudo, tornar-se o Supremo e Venerável Bom Pastor.

Abilene Fisher, Presbítera

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